O Trabalho através dos tempos (I)


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É sabido que o verbo “trabalhar” vem do latim vulgar tripaliare, que significa “torturar”, derivado do latim clássico tripalium, antigo instrumento de tortura. A partir daí, o vocábulo “trabalho” veio sempre significando fadiga, esforço, sofrimento; em suma, valores negativos, dos quais se afastavam os mais afortunados. Hoje, ao contrário, é elemento de dignificação do homem e se lhe reconhece um valor social.

Porque a evocação ao passado? Por assemelhar-se quase que tanto quanto, a um cenário de violência de onde emerge um fenômeno, que apesar de invisível, vem merecendo especial atenção, devido aos graves danos que provoca: o Assédio Moral no Trabalho, também conhecido como Acosso Laboral.

O Acosso Laboral gera desrespeito ao princípio da dignidade da Pessoa Humana, porque atinge a essência daquele que pretende consider o trabalho como forma de justificação de sua própria existência. Hoje esses terríveis desdobramentos laborais começam a incomodar, na forma de doenças ocupacionais ou problemas físico-psíquicos.

Na opinião do Dr. Zeno Simm, “há que se considerar, ainda, que não é muito antigo o entendimento de que o empregado não perde a sua condição de ser humano e cidadão (com todos os direitos e garantias à ela inerentes)  pelo simples fato de transpor os umbrais da empresa, e no interior desta, realizar as tarefas para as quais  foi contratado, ainda que a atividade empregatícia,  por definição legal, seja prestada em uma situação de subordinação ao poder diretivo do empregador,  evidenciando uma relação do tipo “poder-sujeição”. Portanto, embora hierarquicamente submisso ao empregador, o trabalhador não pode ser privado do uso e gozo dos seus direitos fundamentais como pessoa e como cidadão”.

     





No entanto, as novas exigências do ambiente laboral geram múltiplos sentimentos de receios, incertezas e angústia, pois são acompanhadas por abuso de poder, ofensas repetitivas, entre outras, degradando as condições de trabalho.

As empresas, ao invés de estabelecer meios de coibir os comportamentos abusivos, transformam o ambiente laboral em campo minado pelo medo, inveja, disputas, etc. Os métodos gerenciais utilizam ameaças de demissão e precarização do trabalho para espalhar o medo no ambiente, obrigando a condutas de obediência e submissão e que levam a uma crescente aceitação e ocultação do próprio sofrimento, bem como à indiferença diante do sofrimento do outro. O temor faz com que as pessoas suspendam seu próprio pensamento e passam a desenvolver tolerância à injustiça, “desdramatizando” e até colaborando com ele.

Trata-se de uma crise ética, em que a perversidade do sistema conduz à renúncia de lutar pelos próprios valores morais.  Esse texto continua no próximo “post”…

Leia a próxima parte de Trabalho através dos tempos (II).

Por Rossana Cristine Floriano Jost
Autora do livro ACOSSO LABORAL NAS ORGANIZAÇÕES – UMA REALIDADE VELADA.

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